NCM Materiais de Construção 2026: Cimento, Aço, Cerâmica e Mais
Tabela NCM de cimento, aço, porcelanato, azulejo, madeira, vidro e PVC por categoria. Capítulos 25 a 76 da TIPI com alíquotas IBS/CBS atualizadas.
A construção civil empregou 2,9 milhões de trabalhadores formais em 2025 e projeta crescimento de 2% em 2026, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Cada obra consome materiais de pelo menos dez capítulos diferentes da tabela NCM — de cimento (capítulo 25) a perfis de alumínio (capítulo 76). Classificar esses insumos corretamente determina a alíquota aplicável, a elegibilidade para benefícios do IBS/CBS e o risco de autuações com multa de 75% da diferença de tributo, podendo chegar a 150% nos casos qualificados de fraude ou simulação (Art. 44 da Lei 9.430/96).
Quais capítulos da NCM cobrem materiais de construção
Materiais de construção não formam uma seção própria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Os produtos estão dispersos em pelo menos dez capítulos da TIPI, organizados pela matéria-prima — não pelo uso final. Essa dispersão é a principal causa de erros de classificação no setor.
| Capítulo | Matéria | Exemplos de materiais |
|---|---|---|
| 25 | Sal, enxofre, terras, pedras, gesso, cal e cimento | Cimento Portland, cal, gesso, areia, brita |
| 39 | Plásticos e suas obras | Tubos de PVC, conexões, caixas d’água, revestimentos |
| 44 | Madeira e suas obras | Madeira serrada, MDF, compensado, portas, janelas |
| 68 | Obras de pedra, gesso, cimento, concreto | Pré-moldados, blocos, meio-fio, lajes |
| 69 | Produtos cerâmicos | Tijolos, telhas, azulejos, porcelanato |
| 70 | Vidro e suas obras | Vidro temperado, laminado, blocos de vidro |
| 72 | Ferro fundido, ferro e aço | Vergalhões, barras, fio-máquina, perfis |
| 73 | Obras de ferro fundido, ferro ou aço | Tubos de aço, parafusos, estruturas metálicas |
| 74 | Cobre e suas obras | Tubos e conexões de cobre |
| 76 | Alumínio e suas obras | Perfis, esquadrias, chapas de alumínio |
Para entender como cada dígito do código NCM define o capítulo, a posição e o subitem, consulte o guia Estrutura do código NCM: entendendo os 8 dígitos.
Cimento, cal e gesso (Capítulo 25)
O capítulo 25 da TIPI classifica produtos minerais não metálicos pelo grau de processamento industrial. A distinção entre cimento, cal e gesso é fundamental porque cada material ocupa uma posição diferente — e a alíquota de IPI varia.
| Produto | NCM | Observação |
|---|---|---|
| Gesso natural (gipsita) | 2520.10.19 | Subitem varia: gipsita (.11/.19) ou anidrita (.20) |
| Gesso calcinado | 2520.20.90 | Gesso para construção (.10 é uso odontológico) |
| Cal viva | 2522.10.00 | Óxido de cálcio (CaO) |
| Cal hidratada | 2522.20.00 | Hidróxido de cálcio — Ca(OH)₂ |
| Clínquer de cimento | 2523.10.00 | Produto intermediário, antes da moagem |
| Cimento Portland branco | 2523.21.00 | Usado em acabamentos e decoração |
| Cimento Portland comum | 2523.29.10 | CP-II, CP-III, CP-IV, CP-V — os mais comuns em obras |
| Cimento aluminoso | 2523.30.00 | Resistente a altas temperaturas |
O cimento Portland comum (CP-II-E-32, CP-II-F-32, entre outros) é classificado no subitem 2523.29.10. Produtos de cimento moldados — como blocos, telhas e lajes pré-moldadas — migram para o capítulo 68, posição 6810.
Cerâmica: tijolos, telhas e revestimentos (Capítulo 69)
O capítulo 69 abrange produtos cerâmicos obtidos pela queima de argilas e materiais minerais. A classificação depende da função do produto (estrutural ou revestimento) e, no caso de revestimentos, do coeficiente de absorção de água.
| Produto | NCM | Critério |
|---|---|---|
| Tijolos cerâmicos | 6904.10.00 | Tijolos de construção |
| Telhas cerâmicas | 6905.10.00 | Telhas, telhões e acessórios |
| Porcelanato | 6907.21.00 | Absorção ≤ 0,5% — principal critério técnico |
| Azulejo/piso cerâmico (semi-grés) | 6907.22.00 | Absorção > 0,5% e ≤ 10% |
| Cerâmica comum (piso) | 6907.23.00 | Absorção > 10% |
| Pastilhas e mosaicos | 6907.30.00 | Peças com maior dimensão ≤ 7 cm |
| Peças de acabamento | 6907.40.00 | Rodapés, cantoneiras cerâmicas |
A diferença entre porcelanato (6907.21) e azulejo (6907.22 ou 6907.23) é técnica: o coeficiente de absorção de água, medido conforme norma ISO 10545-3. Classificar porcelanato como azulejo comum — ou vice-versa — é um dos erros mais frequentes em notas fiscais do setor cerâmico.
Porcelanato: NCM, critérios técnicos e erros comuns
O porcelanato é classificado na posição 6907.21.00 da TIPI, definida por um único critério objetivo: coeficiente de absorção de água igual ou inferior a 0,5%, conforme a norma ISO 10545-3. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de revestimentos cerâmicos, com 830 milhões de m² produzidos em 2024 (Anfacer/IBGE), e o porcelanato responde por parcela crescente desse volume.
| Tipo de porcelanato | NCM | Observação |
|---|---|---|
| Porcelanato técnico (polido/natural) | 6907.21.00 | Absorção ≤ 0,5% — corpo homogêneo |
| Porcelanato esmaltado | 6907.21.00 | Absorção ≤ 0,5% — mesmo com camada de esmalte |
| Porcelanato retificado | 6907.21.00 | Retificação é acabamento, não altera a posição |
| Porcelanato slim/ultrafino | 6907.21.00 | Espessura fina não muda a classificação |
O critério de absorção prevalece sobre a descrição comercial. Um piso vendido como “porcelanato” mas com absorção de 0,8% não se classifica em 6907.21 — pertence a 6907.22.00 (semi-grés). A Receita Federal exige laudo técnico conforme ISO 10545-3 para validar a classificação em caso de fiscalização. Recomendamos que importadores e distribuidores solicitem o laudo de absorção ao fabricante antes de definir o NCM.
O erro inverso também ocorre: pisos cerâmicos de alta qualidade com absorção efetiva abaixo de 0,5% devem ser classificados como porcelanato (6907.21), mesmo quando o fabricante os comercializa como “piso cerâmico”. A classificação NCM segue o critério técnico da TIPI, não a denominação de marketing.
Para porcelanato importado, a classificação incorreta afeta o IPI e, a partir de 2026, o regime de IBS/CBS. A alíquota de IPI para 6907.21 é a mesma das demais cerâmicas de revestimento (posição 6907), mas a TEC pode variar conforme a subposição. Verifique a tabela TIPI atualizada para confirmar as alíquotas vigentes.
Ferro e aço: vergalhões, perfis e tubos (Capítulos 72–73)
Os capítulos 72 e 73 concentram os materiais metálicos mais consumidos em obras. O capítulo 72 classifica ferro e aço em formas primárias e semimanufaturados, enquanto o capítulo 73 cobre obras acabadas.
| Produto | NCM | Observação |
|---|---|---|
| Vergalhão (barras nervuradas) | 7214.20.00 | CA-50, CA-60 — barras com nervuras para concreto armado |
| Barras lisas de aço | 7214.10.10 | Teor de carbono ≤ 0,6% — mais comum em obras |
| Fio-máquina | 7213.10.00 | Aço não ligado, diâmetro < 14 mm |
| Perfis de aço | 7216.33.00 | Perfis H — estruturas metálicas |
| Arame de aço | posição 7217.10 | Subitem varia conforme teor de carbono e revestimento |
| Tubos de aço soldados | 7306.30.00 | Tubos de seção circular para construção |
| Tubos de aço sem costura | 7304.31.10 | Para instalações hidráulicas de alta pressão |
| Parafusos | 7318.15.00 | Parafusos e prisioneiros de aço |
| Porcas | 7318.16.00 | Porcas de ferro ou aço |
O vergalhão (barra de aço com entalhes, nervuras ou relevos) é classificado na posição 7214.20, e não na posição 7213 (fio-máquina). Confundir os dois gera erro de NCM com impacto direto no cálculo do IPI e do futuro IBS/CBS. O critério de distinção é objetivo: vergalhão tem seção transversal circular com deformações superficiais, enquanto fio-máquina é fornecido em rolos sem nervuras.
Tubulações plásticas: PVC, PPR e CPVC (Capítulo 39)
Tubos e conexões plásticas para construção estão no capítulo 39, que classifica por tipo de polímero — não pela aplicação final. A posição 3917 cobre tubos, e a 3917.23 é específica para tubos de PVC rígido, o material mais utilizado em instalações hidráulicas e esgoto residencial.
| Produto | NCM | Polímero |
|---|---|---|
| Tubo de PVC rígido | 3917.23.00 | Policloreto de vinila (PVC-U) |
| Tubo de PPR | 3917.29.00 | Polipropileno random (PP-R) — água quente |
| Tubo de CPVC | 3917.39.00 | PVC clorado — subposição residual; confirmar estrutura do tubo |
| Conexões de PVC | 3917.40.10 | Joelhos, tês, luvas |
| Caixa d’água de polietileno | 3925.10.00 | Reservatórios de PE — posição diferente (3925) |
O erro mais comum no setor é classificar tubos de PPR ou CPVC como PVC (3917.23). Os três materiais são polímeros distintos e ocupam subposições diferentes. A Receita Federal exige que a classificação reflita a composição química do produto, não sua finalidade.
Madeira e painéis (Capítulo 44)
O capítulo 44 classifica madeira pelo grau de processamento. Madeira bruta e serrada fica nas primeiras posições; painéis reconstituídos (MDF, MDP, compensado) em posições intermediárias; e obras de marcenaria para construção na posição 4418.
| Produto | NCM | Observação |
|---|---|---|
| Madeira serrada (pinus) | 4407.11.00 | Pinus — conífera mais usada em construção no Brasil |
| Madeira serrada (tropical) | 4407.29.90 | Ipê, cumaru, garapeira |
| MDP (aglomerado) | 4410.11.10 | Painéis de partículas de madeira |
| MDF (espessura > 9 mm) | 4411.14.90 | Painéis de fibras — espessura mais comum em obras |
| Compensado | posição 4412 | Subposição varia conforme espécie da lâmina externa |
| Portas de madeira | 4418.29.00 | Portas e caixilhos — .21 se madeira tropical |
| Janelas de madeira | 4418.19.00 | Janelas e caixilhos — .11 se madeira tropical |
Painéis de MDF e MDP são frequentemente confundidos na classificação. O MDF (posição 4411) é fabricado com fibras de madeira, enquanto o MDP (posição 4410) usa partículas. A distinção é definida pela Nota 5 do Capítulo 44 da NESH. A subposição do MDF varia conforme a espessura: 4411.12 (≤ 5 mm), 4411.13 (> 5 mm e ≤ 9 mm) e 4411.14 (> 9 mm) — esta última é a mais comum em obras de construção civil.
Vidro, alumínio e cobre
Três capítulos adicionais cobrem materiais de acabamento e instalações.
Vidro (Capítulo 70): Vidro temperado para construção civil é classificado na posição 7007.19.00, enquanto vidro laminado fica em 7007.21.00. A distinção importa porque o processo de fabricação (têmpera vs laminação) define a posição — e não a aplicação final do vidro.
Alumínio (Capítulo 76): Perfis de alumínio para esquadrias são classificados na posição 7604, e construções ou partes de construções de alumínio (como fachadas e estruturas) ficam na posição 7610.90.00. Uma Solução de Consulta COSIT publicada pela Receita Federal (SC nº 98.047/2019) confirmou que peças de alumínio destinadas a estruturas de construção devem ser classificadas em 7610.90.00, e não em posições genéricas do capítulo 76.
Cobre (Capítulo 74): Tubos de cobre para instalações de gás e climatização estão na posição 7411. Conexões e acessórios para esses tubos ficam em 7412.20.00.
Benefícios fiscais para materiais de construção no IBS/CBS
A maioria dos materiais de construção não possui benefício fiscal específico na LC 214/2025. Produtos como cimento, aço, cerâmica, vidro e alumínio serão tributados pela alíquota padrão do IBS/CBS — estimada em 26,5% segundo projeção consolidada do Executivo federal (Art. 18 da LC 214/2025). A alíquota definitiva será fixada por resolução do Senado com base em estudos do Comitê Gestor do IBS e do TCU.
A exceção relevante está no Anexo IX (insumos agropecuários), que prevê redução de 60% para alguns itens do capítulo 25 quando destinados ao uso agrícola:
| Produto | NCM | Benefício | Condição |
|---|---|---|---|
| Calcário agrícola | 2521.00.00 | Redução 60% (Anexo IX) | Uso como corretivo de solo |
| Gesso agrícola | 2520.20.90 | Redução 60% (Anexo IX) | Uso como corretivo/condicionador |
| Dolomita | 2518.10.00 | Redução 60% (Anexo IX) | Uso como corretivo de solo (não calcinada) |
O calcário destinado à construção (fabricação de cimento, por exemplo) não se beneficia da redução de 60% — o Anexo IX é restrito a insumos agropecuários (Art. 138 da LC 214/2025). O mesmo mineral com o mesmo código NCM pode ter regimes tributários diferentes conforme a destinação.
Para consultar todos os produtos com redução de 60%, acesse a lista completa dos Anexos IV a XI.
Como o IBS/CBS impacta a cadeia da construção civil
Um estudo da consultoria BSSP publicado em 2026 estimou que a reforma tributária pode elevar os custos de execução de obras em até 20%. O principal motivo: a folha de pagamento própria — maior despesa do setor — não gera crédito de IBS/CBS. Serviços terceirizados geram crédito normalmente, mas a folha própria, não. Construtoras com alto uso de mão de obra direta terão menor capacidade de compensação tributária do que empresas que terceirizam serviços ou consomem mais materiais industrializados.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,92% em 2025, com a mão de obra avançando 8,98% no período (FGV/IBRE). Na prática, a transição para o IBS/CBS adiciona uma camada de complexidade: a empresa precisa mapear cada material pelo NCM correto e pelo cClassTrib correspondente para garantir o aproveitamento integral dos créditos de insumos.
Por outro lado, materiais industrializados comprados de fornecedores regulares terão crédito financeiro pleno no IBS/CBS. O modelo é de crédito financeiro amplo, sem vinculação ao conceito de “insumo essencial ou relevante” que restringe o PIS/Cofins — e sem limitação de crédito em operações com empresas do Simples Nacional. Para construtoras que hoje operam no lucro presumido, a mudança para o regime não cumulativo pode resultar em carga efetiva menor sobre insumos materiais.
Erros frequentes na classificação de materiais de construção
Os cinco erros mais recorrentes em notas fiscais de materiais de construção:
Porcelanato e azulejo têm o mesmo NCM?
Não. O porcelanato tem absorção ≤ 0,5% e é classificado em 6907.21. Azulejos e pisos com absorção maior vão para 6907.22 ou 6907.23. A confusão é comum porque ambos são comercializados como “pisos cerâmicos”, mas o NCM exige análise técnica de absorção conforme a norma ISO 10545-3.
Qual a diferença entre vergalhão e fio-máquina no NCM?
Vergalhão nervurado (CA-50) é 7214.20, e não 7213.10. O fio-máquina é fornecido em rolos, sem nervuras. A NESH define que barras com “entalhes, nervuras, sulcos ou relevos obtidos durante a laminagem” pertencem à posição 7214.
Pré-moldado de concreto vai no capítulo 25 ou 68?
Lajes, blocos e postes de concreto são obras de cimento — capítulo 68, posição 6810. Classificá-los no capítulo 25 (matéria-prima) ou no capítulo 73 (obras de aço, mesmo quando armados) é um erro de hierarquia.
Tubos de PPR e CPVC podem usar o NCM do PVC?
Não. Os três são polímeros distintos. PPR (polipropileno) e CPVC (PVC clorado) não podem ser classificados em 3917.23, que é exclusiva para PVC rígido. PPR fica em 3917.29 e CPVC em 3917.39.
Materiais com uso duplo mudam de regime tributário?
Calcário para correção de solo (Anexo IX, redução 60%) e calcário para fabricação de cimento (alíquota padrão) compartilham o mesmo NCM 2521.00.00. O regime tributário depende da finalidade declarada na nota fiscal — o mesmo mineral pode ter carga tributária completamente diferente conforme a destinação.
Para um panorama completo dos erros de NCM e suas consequências, consulte Como classificar NCM corretamente: guia passo a passo e Erros na classificação NCM que geram multas.
Checklist: como classificar um material de construção
Antes de emitir a nota fiscal, verifique cada item:
- Identifique a matéria-prima — O NCM classifica pela composição (plástico, metal, cerâmica), não pelo uso final na obra.
- Localize o capítulo correto na TIPI — Materiais de construção estão dispersos em pelo menos dez capítulos (25 a 76).
- Verifique a forma e o processamento — Barra vs tubo, serrada vs painel, rígido vs flexível. Cada forma tem subposição distinta.
- Consulte as Notas Explicativas (NESH) — A NESH define critérios técnicos como coeficiente de absorção (cerâmica) e presença de nervuras (vergalhão).
- Confirme se há benefício fiscal — Verifique nos Anexos I a XV da LC 214/2025 se o NCM tem alíquota zero ou redução de 60%. A maioria dos materiais de construção fica na alíquota padrão.
- Mapeie o cClassTrib — O código de classificação tributária do IBS/CBS depende diretamente do NCM e da destinação do produto.
Pontos de atenção operacional
A dispersão de materiais de construção em dez capítulos distintos da TIPI cria um risco operacional específico: equipes de cadastro que dominam o capítulo 72 (aço) podem cometer erros sistemáticos no capítulo 69 (cerâmica) ou no capítulo 39 (plásticos). Recomendamos que a revisão de NCMs de materiais de construção envolva tanto a área fiscal quanto a área técnica — engenheiros e compradores conhecem as especificações dos produtos (absorção, composição, forma) que determinam a subposição correta.
O campo cClassTrib na NF-e é obrigatório desde 2026 para empresas no regime normal (CRT 3). Para materiais de construção sem benefício fiscal específico, o cClassTrib será o código de alíquota padrão — mas o contribuinte precisa confirmar caso a caso. Minerais com dupla destinação (agrícola e construção) podem ter cClassTribs diferentes conforme a finalidade declarada na nota fiscal, e o cruzamento automatizado da SEFAZ identificará inconsistências entre NCM, cClassTrib e CFOP.
A reforma tributária altera a lógica de créditos para construtoras. No regime atual de PIS/Cofins, muitos materiais geram crédito restrito. No IBS/CBS, o modelo é de crédito financeiro amplo — qualquer insumo adquirido de fornecedor regular gera crédito integral. Uma NCM incorreta pode impedir o aproveitamento desse crédito. O impacto é cumulativo: em uma obra com centenas de itens de material de construção, erros de NCM em 5% dos insumos podem representar perda significativa de crédito tributário sobre a alíquota estimada de 26,5%.
O que fazer a partir daqui
1. Mapear todos os materiais por capítulo da TIPI. Exporte o cadastro de produtos do ERP e organize os materiais de construção pelos capítulos 25, 39, 44, 68, 69, 70, 72, 73, 74 e 76. Verifique se cada NCM de 8 dígitos corresponde à especificação técnica real do produto — não à descrição comercial.
2. Priorizar a revisão de cerâmicas e aço. Porcelanato vs. azulejo (absorção ≤ 0,5%), vergalhão vs. fio-máquina (nervuras), e tubos de PVC vs. PPR vs. CPVC (polímero) são as três fronteiras onde erros de NCM são mais frequentes no setor de construção civil. Solicite laudos técnicos aos fabricantes quando houver dúvida sobre a classificação.
3. Auditar a base completa de NCMs contra os Anexos da LC 214/2025. A maioria dos materiais de construção fica na alíquota padrão, mas exceções existem — minerais de uso agrícola (Anexo IX), materiais de acessibilidade (Anexo V). Uma auditoria sistemática de NCMs identifica tanto erros de classificação quanto oportunidades de benefício fiscal não aproveitadas.
Perguntas frequentes
Todos os materiais de construção pagam a alíquota cheia de IBS/CBS?
A maioria dos materiais de construção será tributada pela alíquota padrão do IBS/CBS, estimada em 26,5%. Não existe um anexo específico da LC 214/2025 para a construção civil. A exceção são minerais com uso agrícola (como calcário e gesso para correção de solo), que recebem redução de 60% pelo Anexo IX — mas apenas quando destinados ao agronegócio, não à construção.
Qual a diferença entre porcelanato e azulejo na classificação NCM?
A diferença é o coeficiente de absorção de água, medido conforme a norma ISO 10545-3. Porcelanato tem absorção igual ou inferior a 0,5% e é classificado na posição 6907.21. Azulejos e pisos com absorção acima de 0,5% são classificados em 6907.22 (até 10%) ou 6907.23 (acima de 10%). A descrição comercial (“piso porcelanato”) não define a classificação — o critério é exclusivamente técnico.
Vergalhão CA-50 é classificado como barra ou fio-máquina?
Vergalhão CA-50 é classificado como barra de ferro ou aço não ligado na posição 7214.20.00, que abrange barras com entalhes, nervuras ou relevos obtidos durante a laminagem. Fio-máquina (posição 7213) é um produto distinto, fornecido em rolos contínuos e sem deformações superficiais. A confusão entre os dois gera erro de NCM com impacto na tributação.
Qual a multa por classificar um material de construção com NCM errado?
No mercado interno, a multa por inexatidão de declaração que resulte em diferença de tributo é de 75% sobre o valor apurado, conforme Art. 44 da Lei 9.430/96. Na importação, a LC 227/2026 revogou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro prevista no Art. 84 da MP 2.158-35/2001 e substituiu o modelo anterior por um regime de penalidades baseado em UPF (Unidade Padrão Fiscal), cuja regulamentação conjunta pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS ainda está pendente. A denúncia espontânea antes de qualquer procedimento fiscal elimina a multa em ambos os casos.
Tubos de PVC, PPR e CPVC têm o mesmo NCM?
Não. Tubos de PVC rígido são classificados em 3917.23.00. Tubos de PPR (polipropileno random) ficam em 3917.29.00 (outros tubos rígidos de plásticos). Tubos de CPVC (PVC clorado) são classificados em 3917.39.00. A NCM exige classificação pelo tipo de polímero, e não pela aplicação hidráulica. Misturar esses códigos é infração fiscal passível de autuação.
Qual o NCM correto para porcelanato?
Porcelanato é classificado em 6907.21.00, independentemente do tipo (técnico, esmaltado, retificado ou slim/ultrafino). O critério exclusivo é o coeficiente de absorção de água igual ou inferior a 0,5%, conforme norma ISO 10545-3. Pisos vendidos comercialmente como “porcelanato” mas com absorção acima de 0,5% devem ser classificados em 6907.22.00 (semi-grés) ou 6907.23.00 (cerâmica comum). Recomendamos solicitar laudo técnico de absorção ao fabricante.
Fundamentação legal
| Dispositivo | Conteúdo | Link |
|---|---|---|
| Decreto 11.158/2022 | TIPI vigente — classificação oficial com alíquotas de IPI | Planalto |
| Art. 44, I, Lei 9.430/96 | Multa de 75% sobre diferença de tributo por NCM incorreta | Planalto |
| Art. 18, LC 214/2025 | Alíquota de referência do IBS/CBS | Planalto |
| Art. 138, LC 214/2025 | Redução de 60% para insumos agropecuários (Anexo IX) | Planalto |
| ISO 10545-3 | Norma para coeficiente de absorção de água em revestimentos cerâmicos | — |
| SC COSIT nº 98.047/2019 | Classificação de estruturas de alumínio para construção em 7610.90.00 | RFB |
| Anfacer/IBGE | 830 milhões de m² de revestimentos cerâmicos produzidos em 2024 | Anfacer |
| CBIC | 2,9 milhões de empregos formais na construção civil em 2025 | CBIC |
| FGV/IBRE | INCC acumulado de 5,92% em 2025, mão de obra +8,98% | FGV |
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